~~~ ~Ainda me Lembro!!!
~~~ Os anos do pós guerra ~~ 1947/48~~~
Não me lembro muito bem das grandes vicissitudes da mesma, no que toca á falta de básicos géneros alimentícios, como pão o e mercearia devido ao facto de meus pais e avós terem mercearia e padaria. Mas ainda me lembro- de vêr filas de pessoas no pátio da padaria de meus avós paternos, à espera para lhe venderem pão, o que era feito através de um postigo com grades. Sei hoje que muitas dessas pessoas vinham de longe, das terras do sul do Zêzere como Barco, Paul, Ourondo e até de Silvares, S. Martinho e Barroca do Zezere .
Chegavam durante a noite, para de manhã poderem apanharo precioso pão, que alguns iam vender depois nas suas terras a preço mais elevado.
-Deste facto tive conhecimento já aqui em Vancouver, por pessoas que partriciparam nesta “realidade”que afinal iam ao Peso buscar pão e depois vim a saber que era a padaria de meus avós.-
Foram tempos de dificuldades que se viviam nesta época, nestas aldeias rurais das Beiras e não só, dificuldades estas que se prolongaram por mais de duas décadas,até que surgiu a emigração para França, nos pricípios de 1960 / 65. Havia racionamento para muitos géneros de consumo, como pão,açucar, arrôs, sabão, etc e lembro-me de meu pai, me mandar cortar cupons de cadenetas que eram distribuidas pela então, IGA (Intendencia Geral de Abastecimentos) todos os meses aos comerciantes. Esta entidade estatal regulava os abastecimentos de géneros de consumo básico ás populações.
Conforme o numero de pessoas do agregado familiar,era-lhes atribuído uma certa quantidade desses produtos,que os comerciantes iam levantar aos armazens da sede de concelho. Algumas dessas famílias com maior numero de filhos e que portanto tinham acesso a mais uns kilos desses produtos, por veses por falta de dinheiro,vendiam esses géneros a outras pessoas que melhor os podiam comprar
Por alturas de 1955/60 as Paróquias recebiam igualmente farinha americana e canadiana, doada pela “Caritas”uma organização internacional de apoio aos países pobres,(sim Portugal estava classificado como tal) para ser distribuida pelas pessoas com mais necessidade nas aldeias, o que nem sempre acontecia. Parte dessa farinha era vendida ás padarias,-desculpem esta revelação, mas isto faz parte da história do nosso povo- A farinha fornecida ás padarias era uma mistura de trigo, fava e feijão frade (Quem se lembra ainda dos famosos pães de testa 5$00).?
O pão desta época eram na maioria, unidades de 1 kg, kilo e meio e do tamanho de um prato.
Usava-se o pão de testa, o centeio e o pão de milho, (mais conhecido por brôa) que era vendido a 5$00 e igualmente o de 1kg a $3.30. Menos usado era o pão “fino” assim lhe chamavam, que consistia de regueifas a 4$80, carcaças ou pão de quartos,1$60 e os celebres papossêcos a $0.40 centavos, que chegaram aos nossos dias.
Havia no Peso duas padarias importantes para a área do “Rio”:
Nesta época de falta de géneros alimentícios, ter uma mercearia ou principalmente padaria era uma vantagem económica que não se podia ignorar.
Assim se adquiriram os primeiros automoveis para o Peso, para a distribuição do pão pelas terras vizinhas, que até então era feita com carroças puchadas por animais. Em muitas aldeias não havia padarias, ou se havia, eram apenas exploradas nas proprias aldeias. Não nos esqueçamos que nesta época as aldeias eram mais povoadas do que actualmente. Embora vivendo-se com dificuldades, havia nelas “‘vida”, comparado com esse tempo, hoje são quase deias “fantasmas”. No caso de meu avô, comprou-se um “Nash” dos célebres modelo T que era posto a trabalhar com uma grande manivela. Tiravam-se os bancos de traz, já que a mala traseira era bastante pequena, mais parecida com um baú e assim enchia-se o espaço com o pão que era posto dentro de grandes cestos de verga e em cima dos mesmos.
Esse pão era distribuido pelas aldeias do “rio”como Coutada, Barco, Paul, Ourondo,Casegas, Sobral e para o lado norte, Erada, Hunhais , Cortes e até á isolada Bouça, onde não havia estrada e era enviado um robusto cavalo pelo comerciante da terra, que transportava 3 cestos de pão, para ser revendido no unico estabelecimento da povoação. Alguns anos depois tentava-se a zona industrial do Tortosendo, Covilhã e as inumeras quintas ao redór. Assim a industria de panificação do Peso era conhecida por toda a Cova da Beira.
~~~~~~~ Os primeiros automóveis do Peso ~~~~~~~
Foi no início da década de 1950 que vieram para o Peso os primeiros automoveis, por via da industria de panificação.
Meus avós, Belarmino Batista & filhos
Chegavam durante a noite, para de manhã poderem apanharo precioso pão, que alguns iam vender depois nas suas terras a preço mais elevado.
-Deste facto tive conhecimento já aqui em Vancouver, por pessoas que partriciparam nesta “realidade”que afinal iam ao Peso buscar pão e depois vim a saber que era a padaria de meus avós.-
Foram tempos de dificuldades que se viviam nesta época, nestas aldeias rurais das Beiras e não só, dificuldades estas que se prolongaram por mais de duas décadas,até que surgiu a emigração para França, nos pricípios de 1960 / 65. Havia racionamento para muitos géneros de consumo, como pão,açucar, arrôs, sabão, etc e lembro-me de meu pai, me mandar cortar cupons de cadenetas que eram distribuidas pela então, IGA (Intendencia Geral de Abastecimentos) todos os meses aos comerciantes. Esta entidade estatal regulava os abastecimentos de géneros de consumo básico ás populações.
Conforme o numero de pessoas do agregado familiar,era-lhes atribuído uma certa quantidade desses produtos,que os comerciantes iam levantar aos armazens da sede de concelho. Algumas dessas famílias com maior numero de filhos e que portanto tinham acesso a mais uns kilos desses produtos, por veses por falta de dinheiro,vendiam esses géneros a outras pessoas que melhor os podiam comprar
Por alturas de 1955/60 as Paróquias recebiam igualmente farinha americana e canadiana, doada pela “Caritas”uma organização internacional de apoio aos países pobres,(sim Portugal estava classificado como tal) para ser distribuida pelas pessoas com mais necessidade nas aldeias, o que nem sempre acontecia. Parte dessa farinha era vendida ás padarias,-desculpem esta revelação, mas isto faz parte da história do nosso povo- A farinha fornecida ás padarias era uma mistura de trigo, fava e feijão frade (Quem se lembra ainda dos famosos pães de testa 5$00).?
O pão desta época eram na maioria, unidades de 1 kg, kilo e meio e do tamanho de um prato.
Usava-se o pão de testa, o centeio e o pão de milho, (mais conhecido por brôa) que era vendido a 5$00 e igualmente o de 1kg a $3.30. Menos usado era o pão “fino” assim lhe chamavam, que consistia de regueifas a 4$80, carcaças ou pão de quartos,1$60 e os celebres papossêcos a $0.40 centavos, que chegaram aos nossos dias.
Havia no Peso duas padarias importantes para a área do “Rio”:
Nesta época de falta de géneros alimentícios, ter uma mercearia ou principalmente padaria era uma vantagem económica que não se podia ignorar.
Assim se adquiriram os primeiros automoveis para o Peso, para a distribuição do pão pelas terras vizinhas, que até então era feita com carroças puchadas por animais. Em muitas aldeias não havia padarias, ou se havia, eram apenas exploradas nas proprias aldeias. Não nos esqueçamos que nesta época as aldeias eram mais povoadas do que actualmente. Embora vivendo-se com dificuldades, havia nelas “‘vida”, comparado com esse tempo, hoje são quase deias “fantasmas”. No caso de meu avô, comprou-se um “Nash” dos célebres modelo T que era posto a trabalhar com uma grande manivela. Tiravam-se os bancos de traz, já que a mala traseira era bastante pequena, mais parecida com um baú e assim enchia-se o espaço com o pão que era posto dentro de grandes cestos de verga e em cima dos mesmos.
Esse pão era distribuido pelas aldeias do “rio”como Coutada, Barco, Paul, Ourondo,Casegas, Sobral e para o lado norte, Erada, Hunhais , Cortes e até á isolada Bouça, onde não havia estrada e era enviado um robusto cavalo pelo comerciante da terra, que transportava 3 cestos de pão, para ser revendido no unico estabelecimento da povoação. Alguns anos depois tentava-se a zona industrial do Tortosendo, Covilhã e as inumeras quintas ao redór. Assim a industria de panificação do Peso era conhecida por toda a Cova da Beira.
~~~~~~~ Os primeiros automóveis do Peso ~~~~~~~
Foi no início da década de 1950 que vieram para o Peso os primeiros automoveis, por via da industria de panificação.
Meus avós, Belarmino Batista & filhos
e Irmãos Pires,Abílio,Angelo,José.
(Estas sâo fotos dos modelos dos carros referidos)
Existiam ainda, que eu me lembre, dois fornos de coser pão para o povo, o da Ti Ana Poiares, como era conhecido, mas pertença da familia de João Luis de Sousa e o outro... de Artur Pires Morâo. Funcionavan no sistema de “maquía”. Maquía era a forma de pagamento das pessoas pelos serviços prestados. Assim pagava-se o uso do forno com o mesmo pão, consoante a quantidade de pão cosido. Esse pão era depois vendido para a realização de fundos monetarios para a pessoa que explorava o forno.
Pagava-se uma "cóta" com produtos da terra, como milho e azeite... ao barbeiro, aos barqueiros para a travessia do Zezere.O mesmo acontecia com o Doutor. (vejam a introdução nos meus escritos de ”OSalto”). O pagamento da côngrua ao Padre, era igualmente feito com os mesmos produtos. O dinheiro era um “bem” secundário, que muitos possuiam em mínima quantidade.
Já que falei na ti Ana Poiares, estou-me a lembrar do seu filho Amandio, que trabalhava no mesmo forno e conseguia equilibrar um tabuleiro de pão á cabeça, coisa que só as mulheres (algumas) faziam. Este dedicava-se aos domingos a engraxar sapatos, levava 1.50 centavos (15 tostoes) e nisto era um bom profissional. Posso dizer que com a sua ocupação contribuia para que o Peso fosse uma aldeia onde havia um pouco de tudo. Muitos rapazes dos Vales, Pesinho e Coutada, vinham ao Peso aos domingos para engraxar os sapatos, por não haver nas suas terras este serviço. Nestes tempos em que a estrada não era alcatroada e os caminhos todos poeirentos no verão e lamacentos no inverno, andava-se muito a pé. A primeira e unica camioneta de carreira que fazia o trajecto entre o Tortosendo e o Barco, começou creio nos anos 60, saia do Barco pela manhã antes das 7 horas e vinha no sentido inversso pelas 6 horas da tarde.
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Existiam ainda, que eu me lembre, dois fornos de coser pão para o povo, o da Ti Ana Poiares, como era conhecido, mas pertença da familia de João Luis de Sousa e o outro... de Artur Pires Morâo. Funcionavan no sistema de “maquía”. Maquía era a forma de pagamento das pessoas pelos serviços prestados. Assim pagava-se o uso do forno com o mesmo pão, consoante a quantidade de pão cosido. Esse pão era depois vendido para a realização de fundos monetarios para a pessoa que explorava o forno.
Pagava-se uma "cóta" com produtos da terra, como milho e azeite... ao barbeiro, aos barqueiros para a travessia do Zezere.O mesmo acontecia com o Doutor. (vejam a introdução nos meus escritos de ”OSalto”). O pagamento da côngrua ao Padre, era igualmente feito com os mesmos produtos. O dinheiro era um “bem” secundário, que muitos possuiam em mínima quantidade.
Já que falei na ti Ana Poiares, estou-me a lembrar do seu filho Amandio, que trabalhava no mesmo forno e conseguia equilibrar um tabuleiro de pão á cabeça, coisa que só as mulheres (algumas) faziam. Este dedicava-se aos domingos a engraxar sapatos, levava 1.50 centavos (15 tostoes) e nisto era um bom profissional. Posso dizer que com a sua ocupação contribuia para que o Peso fosse uma aldeia onde havia um pouco de tudo. Muitos rapazes dos Vales, Pesinho e Coutada, vinham ao Peso aos domingos para engraxar os sapatos, por não haver nas suas terras este serviço. Nestes tempos em que a estrada não era alcatroada e os caminhos todos poeirentos no verão e lamacentos no inverno, andava-se muito a pé. A primeira e unica camioneta de carreira que fazia o trajecto entre o Tortosendo e o Barco, começou creio nos anos 60, saia do Barco pela manhã antes das 7 horas e vinha no sentido inversso pelas 6 horas da tarde.
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