~~~Ainda me Lembro!!!~~~
A vinda da elctricidade
Por alturas de 1958/59,
chegou a electricidade ás aldeias do Rio, desde o Dominguiso ao Barco e isto
foi certamente um dos grandes benefícios do desta época.
Este melhoramento veio
proporcionar como é obvio um substancial desenvolvimeno ás aldeias e uma
melhoria nas condições de vida daqueles que podiam instalar a luz electrica em
casa. Para esses as candeias de azeite ou os candêiros a petroleo, poderiam já ser coisas do passado.
Possibilitou igualmente a mecanisação da industria de panificação na aldeia.
Houvir-se a radio era já possível, pagando uma
licença anual de 100$00 escudos á então Emissora Nacional. E passados poucos
meses, heis que apareceram mesmo os fiscais da Emissora entrando nos
estabelecimentos e apanhando os que não tinham essa licença, creio que nehum a
tinha e lembro-me que meu pai foi um dos apanhados.Com a radio, nas tabernas já
poderia haver mais divertimento e informação, tal como o relato dos jogos de
futebol.
Lembro-me igualmente que
nomeadamente as mulheres, se reuniam em frente da telefonia para houvirem o”
romance”.As tabernas iam-se transformando em cafés
(onde café não
havia)ficariam a ser tabernas mais civilizadas, pelo menos com cadeiras e
mesas, em vês dos tradicionais bancos
quadrados de madeira.
O primeiro café verdadeiro a ser aberto no Peso, foi o dos irmãos Arnaldo e Antonio Proença, isto já depois da vinda da Televisão. Todas as noites era casa cheia, principalmente para a noite de teatro. As emissões começavam da parte da tarde acabavam á volta das 11 da noite. Uma das bebidas mais populares na altura, para os que não bebiam vinho, era uma mistura de gasosa com café (de cevada) que fazia uma espuma mais parecida com cerveja preta. Havia um nome próprio para esta bebida , que não me recordo.
Ainda me lembro que a primeira televisão no Peso, foi dos Irmãos Pires e nos primeiros dias foi posta na varanda do seu estabelecimento no Largo do Chafariz, onde á noite um arraial de gente se reunia para ver a TV.
Queria recuar um pouco no tempo, para antes da vinda da electricidade.
As primeiras telefonias existentes no Peso, foram as do Sr. Angelo Morão no Largo do Chafariz, que era proprietário de um dos melhores estabelecimentos de mercearias, retrozaria e fancaria de todas as aldeias do Rio. Aqui vinham muitas pessoas das aldeias vizinhas, abastecerem-se para não irem ao Tortosendo ou Fundão. A outra casa com telefonia era de meu avô, Belarmino Batista. Estas eram as unicas casas que tinham electricidade fornecida por um gerador movido a vento e instalado no telhado. As pessoas chamam-lhe “caravelas”.
Ainda me lembro que as
pessoas no dia das celebrações de N.Sra
de Fátima, no 13 de Maio, enchiam a sala da casa de meu avô, para houvirem as
reportagens das mesmas.
Lembro-me igualmente quando
da morte do então Presidente da Republica, Marechal Carmona, se encher a casa
de gente, onde eu estava tambem e ver as pessoas chorar com o relato emocionante
e sentimental dado pelo incomparável locutor de então, Artur Agostinho.
Recordo-me bem deste acontecimento, por ter
chorado tambem.
Lembro-me igualmente de ir
houvir, muitas veses sózinho, por alturas da Pascoa, os relatos do hoquei em
patins para o campeonato do mundo, transmitidos de Geneve ou Montreax, na Suiça.
Gostava ainda de houvir o programa dos Companheiros da Alegria no Radio Club Português todas as noites, espectaculo musical que na década de 1950/60, percorria Portugal de lés a lés. Igrejas Caeiro e Elvira Velez eram os productores deste espectaculo, que revelava muitos dos bons artistas/cantores portugueses.
Isto só era possível graças
aos geradores a vento.
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