~ Recordar é Vivêr ~
Tendo passado a
minha infancia em parte, até ao final da
década de 1960 numa aldeia rural como o nosso Peso, brincáva-mos na rua por
vezes até a noite se fechar, para depois irmos 'cear", comer a refeiçâo da noite, mas por vezes
comia-mos mais do que isso, por nos termos demorado mais na rua e onde as nossa
mâes precisavam de nós para ajudar a tomar conta dos irmâos mais novos enquanto
se preparava o jantar.
No meu caso como era o mais velho de 6 irmâos, a minha presença era mesmo necessária. Eu tinha mesmo o terreiro em frente da porta e era aí o meu passatempo, tendo ainda que tomar conta da "loja" que meus pais tinham, ao mesmo tempo que brincava.
Os jogos que
usava-mos para nos devertir, eram jogos que iam passando de geraçâo em geraçâo
( de crianças ) e que eram usados consoante a época do ano. Por exemplo no
Outono e Inverno brincava-se ao piâo, fazia-se um circulo e tinhamos que por lá
dentro um piâo velho ou uma pendonça,( piâo rudimentar feito à mâo, mas que
tinha que trabalhar ou nâo seria aceite) e depois cada um por sua vês jogávamos o piâo de forma
a a fazer saír o piâo do adversário fora desse circulo.Por veses até eram
escavacádos, quando algun lhe acertava em cheio. Havia outra forma de brincar
com o piâo, que era jogado e apanhado à mâo e depois era jogado sempre a rolar
de encontro a outro, até esse atingir um determinado sítio.
Igualmente se
faziam "alcatruzes" assim se chamava um brinquedo que era feito,
salvo êrro, de pau de sabugueiro, que se trazia das margens do rio,
tiravasse-lhe o miôlo de dentro e arranjava-mos outro pau que fosse direito e
que coubesse dentro do mesmo e com uma bolinha de estôpa ou de pano e até de
papél, fazia-mos esse brinquedo que depois usava-mos contra a nossa barriga,
forçando a sua passagem por dentro do orifício, que produzia um som duro e sêco
(um poom) que se ouvia a lguma distancia e assim quanto mais forte fosse esse
som, mais orgulhosos nós ficávamos.Claro que todo este tempo de arranjar este aparato,
tambem era brincar, podia levar alguns dias a fazer, conforme as
circunstâncias.
No inverno
brinvcava-mos tambem á "bilharda" e ao "espéta pau,"
fazia-se tambem um circulo na terra que
servia de base para os paus que se usavam. Este jogo era feito no Inverno, para se podererem segurar os páus na terra
lamacenta.
Na Primavera
quando o sólo ja estava mais sólido e enchuto, começava-se a jogar o
"belindre" que era uma bolinha de
ou de vidro, (se a tivésse-mos) e com um pequeno buraco na terra tentàva-mos
atirá-la lá para dentro, se nâo conseguisse-mos, continuaria-mos a fazê-lo com
os dêdos até conseguir-mos. Jogava-mos ainda outra modalidade, que consistia em
empurrar um berlinde com outro, para o lugar desejado.
Era nesta época
que jogáva-mos outros jogos, como o " ferro/quente" onde se escondia
um cinto nos inúmeros buracos das paredes e o primeiro a encontrá-lo seria quem
ganhava e iria escondê-lo novamente.
Outro jogo
desta época era o "digodim,digodâo, quantos dêdos lá estâo" que consistia
em um de nós, se debruçar nas pernas de outro e com outro em cima das costas,
eram postos um número de dêdos nas costas do mesmo e a pergunta era feita,
quantos dêdos lá estâo? Enquanto nâo adivinha-se o numero exacto de dêdos
expostos tera que estar naquela posiçâo, com a cara debruçâda. Com este mesmo
jogo havia "outra" alterrnativa em que o intrveniente teria que
suportar outro em cima das costas, até adivinhar e" outra" em que
eram dadas pálmadas na mâo, que era exposta nas costas. (Complicádas estas
regras!)
Quando já era-mos
adolecentes, jogáva-mos ainda os "Cábos", que consistia um dos
intrevenientes, com as mâos dádas, abarcadas uma à outra, teria que apanhar
qualquer um dos outros, que quando apanhado seria ele a ír fazer o mesmo,
tentar apanhar outro.Tinha-mos ainda a "Cabra céga" o "Lourênço,
aqui fica o lênço" e outros mais cuja finalidade era adivinhar o que se
procurava.
Na Primavera
iamos aos ninhos, que tantos havia nos quintais e predios em volta do
pôvo.Depois de encontrar-mos alguns, e verificar-mos o seu conteudo, ovos ou
pássaros (aves) normalmente visitáva-mos -os todos os dias, para ter-mos a
certeza de que tudo estava na mesma. Pobres aves que acabavam quase sempre pôr
nos morrerem nas mâos.
Quem se nâo lembra do célebre jogo dos "3"
aos Domingos, no recinto da Sra Sallete. Era aqui que se arranjavam os
primeiros namoricos, pois havia mais contactos entre rapazes e raparigas. Bons
tempos e bons sonhos !
Lembro-me que
enquanto no recinto da escola do Cabouco no tempo da (D.Blandina), jogáva-mos
outro jogo a que chamava-mos a "Barra", que consistia em recrutar 5
ou 6 companheiros para cada lado, que ficáva-mos estacionados dentro dum
rectangulo ? e um de nós provocáva o
outro grupo, que enviáva outro ao encontro e se se deixasse tocar, teria que
vir para o nosso lado onde ficava prisioneiro
e seria posto em frente do nosso grupo, para ser tentado apanhado
novemente, bastava que um seu companheiro lhe toca-se , por isso tinha que
estar sempre guardado. Uma nota interessante é que o que tivesse o direito de saír primeiro, era
intocável, qualquer um do adversário se lhe tocá -se , ficaaria prisioneiro do
grupo, assim o propósito era nâo se deixar apanhar.
Por mencionar a
D. Blandina ( minha professora) nos fins de Maio princípios de Junho, no fim da
escola, íamos jogar a bola para o “estadio” da Barroca do Bicho e como
tinha-mos que estudar para o exame da 4ª classe, ela ía espreitar no címo da
barreira, quem lá andava e no próximo dia éramos chamados à palmatória, porque
nâo tinha-mos estudado para o exame..
Se alguem
souber melhor as regras destes jogos, seria optimo que o participá-se, pois eu
já nâo me recordo de certos pormenores.
B.B.
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