Nota:
Tendo visitado
a minha terra, Peso/Covilhã em 1979, a minha primeira visita
desde que emigrei, encontrei o Rio Zêzere mais ou menos como quando o deixei
em 1973.
Porem quando da minha segunda visita em 1985, o meu
encontro com o
nosso Zêzere, foi para mim chocante, ao verificar as
consequencias que a
extração de inertes tinham feito. O leito do rio da
minha infancia estava desfigurado;
O cascalhal do Verde tinha desaparecido, do areal
dos Barros, nem vestígios,
o que me entristeceu bastante. Parece-me que a
nostálgia da ausência,
leva-nos a gostar mais daquilo que deixamos e a
sermos mais sensíveis às coisas,
do que os próprios residentes.
Assim, este poema é
a reflecção do meu sentimento, acerca do Zezere.
I V I
Ó Zêzere da minha infancia O sussurar das
tuas águas
Ó Zêzere da minha paixão deu-te o
nome concerteza
As tuas águas separam do
granito que esbatias
A
Covilhã e o Fundão essa
outra grande riqueza
I I
VII
Nasces de entre o granito Seis
longos anos se passaram
Da nossa Serra da Estrela sem
eu te voltar a ver
E ao olhar para ti… e
quando te vi… chorei,
Confesso que me daz pena por quase
não te conhecer
III VIII
Que
bela era a tua paisagem Sim… quase não
te conheço
De
areal e milheirais de tão mudado que estás
Onde cantava o melro
apetece-me dizer…
E
saltitavam pardais ó
tempo volta p’ra traz
IV IX
As tuas pedras multiformas Chora-se a
tua perda
Com que eu brincava de
infancia mas isso já pouco importa
Desapareceram do teu leito o teu leito
foi estripado
Meu Deus… tanta ignorancia e a tua fauna está
morta
V X
Do areal dos ‘Barros” .Não
vamos culpar ninguem
Ao cascalhal do”Verde Quem
aproveitou tua riqueza
- tudo desapareceu -
Culpemos os governantes
Agora, água suja e lodo e a nós proprios, concerteza
AI, quem nao te conheceu.
https://youtu.be/be6fwj72eMkhttps:/
https://youtu.be/OODO5AQzI_w?si=jQjNlkOmjjtOxvMo Maria dos Santos Sardinha. minha sogra Maria Rafael, minha esposa Carmelina, lavando a cabeca e atraz Maria Sardinha (pipi).
Repare se na limpidez da agua.
Belarmino Duarte Batista -
Vancouver Canadá 9/1979
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